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*publicado em 28/9/2006 - 00h00
Uriah Heep: Via Funchal - São Paulo/SP
Gustavo Silva
Redação TDM
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Gustavo Silva / TDM
Era um festival. Mas 99% do público já tinha em mente o que queria ver na noite de quinta-feira, dia 28 de setembro, na edição paulista do Rock in Concert. Tropa de Shock e Salário Mínimo já são nomes tradicionais no cenário musical brasileiro, enquanto a semi-estreante Pedra ainda dá seus primeiros passos. No caminho contrário do último, o Uriah Heep era o grande responsável por levar um público entre duas e três mil pessoas ao Via Funchal.

O conjunto britânico nunca chegou a ser um grande nome do ‘mainstream’ musical e de dividendos comerciais compatíveis à sua grandeza histórica. Seus próprios integrantes têm consciência disso, a ponto de Mick Box considerar o grupo como o maior do ‘underground’ mundial. Com status de banda ‘cult’, trouxe um público cuja média de idade ultrapassava os 30 anos. Mas esse não foi o único fator a corroborar ao pequeno número de presentes nas dependências da casa. Logisticamente, uma quinta-feira não é o melhor dia para se organizar um festival com quatro nomes.

Quem mais sofreu com isso tudo foram os primeiros grupos a se apresentarem – Tropa de Shock e Salário Mínimo. Este, sofrendo com problemas técnicos, realizou uma apresentação de início morna, mas que foi ganhando força à medida que o vocalista China Lee e o guitarrista Alan Flávio (fisicamente, uma mistura entre Kiko Zambianchi e Dinho Ouro Preto) conquistavam o público com muita vontade em cima do palco.

Carisma e vontade também não faltaram a Don, ‘frontman’ do Tropa de Shock, assim como problemas técnicos durante a curta apresentação da banda, a primeira da noite. Mas, o fato de se apresentarem para um número inferior a 300 pessoas acabou contagiando a performance do grupo, um tanto quanto insossa.

À hora em que subia ao palco, o Pedra encontrava um número maior de pessoas para se apresentar. Por ser de uma sonoridade mais próxima à banda principal, adicionando ao rock toques progressivos, atmosféricos e até mesmo psicodélicos – com direito a incensos queimando no palco - acabou agradando mais os presentes. Mas ainda assim, os problemas técnicos também caminharam junto à banda, a ponto do baixista Luiz Domingues praticamente não ter participado da execução da primeira música. Como China Lee disse durante a apresentação de sua banda: “banda nacional sofre!”.

Não por acaso, o Uriah Heep fora o escolhido para fechar o festival. Somente em anos, sua carreira ultrapassa a de todos os outros nomes do evento juntos. E a experiência gera frutos excepcionais em palco. Desde a abertura com “So Tired” à “Lady in Black”, responsável pelo encerramento da apresentação, uma sucessão de clássicos da carreira do conjunto inglês sem igual. Até porque, não podia ser diferente, já que não há um lançamento para divulgar.

Chega a dar arrepios ver a performance do cinqüentão Bernie Shaw nos vocais, alcançando notas altíssimas sem cometer deslizes. Na verdade, no campo das vozes, o Uriah Heep é inigualável: todos os membros participam dos ‘backin-vocals’ e o fazem de maneira sublime, como deixou claro o coro de “Gipsy”. Mick Box transpira um carisma tão contido quanto mágico, enquanto Phil Lanzon dá um charme todo especial às músicas em seu teclado/hammond, além de se divertir à beça, fazendo brincadeiras ao melhor estilo britânico.

Trevor Bolder é um exímio baixista, especialmente em suas linhas de ‘walkin’ bass’, à mesma maneira em que o consagrado Lee Kerslake na bateria, visivelmente irritado com os problemas técnicos (sim, eles de novo) que o nortearam por quase todo o show, com o volume de seu microfone muito baixo em relação aos outros. A ponto de ter sido o primeiro a deixar o tablado, e, em certo momento da apresentação, após discutir muito com a equipe atrás do palco, soltar um singelo ‘fuck off’.

Mas os empecilhos vieram em menor escala no show do Uriah Heep, e não ofuscaram em nada o brilho da apresentação. O porém acabou ficando para o baixo número de presentes, sendo que estes, em grande parte, pareciam estarem afetados pela carga de trabalho diária. Com as emoções contidas, a participação do público ficou aquém do que o quinteto inglês merecia. Mas, em cima do palco, o espetáculo proporcionado pelo Uriah Heep beirou à perfeição – suficiente para ter se tornado marcante. Precisava de mais?
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