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*publicado em 31/8/2009 - 17h26
Amorphis: Um balanço dos quase 20 anos de carreira
Rafael Sartori
Redação TDM
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Divulgação
Tomi Koivusaari
Os finlandeses do Amorphis estão prestes a desembarcar no Brasil pela primeira vez. A banda participa como convidada especial do show do Childrem of Bodom. As apresentações acontecem na capital paulista, no próximo dia 12 de setembro.

O Amorphis foi formado em 1990 e hoje conta com Tomi Joutsen (voz), Esa Holopainen (guitarra), Tomi Koivusaari (guitarra), Niklas Etelavuori (baixo), Santeri Kallio (teclado), Jan Rachberger (bateria).

Na entrevista abaixo, o guitarrista Tomi Koivusaari faz um apanhado geral dos quase 20 anos de carreira, fala sobre mudanças na formação, redirecionamento musical e ainda conta que depois do show em São Paulo a banda pretende cair no samba...

“Skyforger” parece apresentar características de todos os álbuns anteriores da banda. Isso foi planejado?

Tomi Koivusaari:
Nunca pensei dessa forma, mas pode ser. Quando Pasi [Koskinen, voz] saiu e Tomi [Joutsen, voz] entrou na banda antes de “Eclipse” foi a primeira vez que paramos e olhamos o que musicalmente havíamos feito até então em nossa carreira. E quanto Tomi entrou quis ensaiar o material antigo também, o que fizemos e, aliás, tocamos na turnê que veio em seguida.

Acho que isso afetou os álbuns que vieram depois. Então, não acho que foi pensado, mas imagino que tivemos influências de nossa própria discografia.

Qual a importância de “Skyforger” na discografia? O que há de especial no álbum? Ele é como um capítulo a mais para o Amorphis?

Tomi:
É claro que, especialmente como músico, a cada novo lançamento sinto que ele seja o melhor de todos. Mas eu definitivamente vejo essa fase “Joutsen” como a melhor do Amorphis. Todo álbum é importante, de um jeito ou de outro, e isso afeta o álbum seguinte e assim por diante. O “Skyforger” é o ponto alto da trilogia iniciada com “Eclipse”. Na minha opinião ele é exatamente o que queríamos atingir musicalmente. Mas eu prefiro pensar que nosso melhor álbum ainda está por vir, vejamos o que o futuro nos reserva...

Parece que esse álbum tem menos partes de teclado e mais piano. Você concorda?

Tomi:
Algumas canções foram compostas no piano, essa deve ser a razão. E parece que Santeri [Kallio, teclado] prefere tocar piano atualmente. De qualquer forma, há tanta coisa acontecendo em nossa música que o piano parece combinar melhor. O piano é um instrumento melhor, oras!

O álbum “Elegy” iniciou uma nova fase para a banda. Como esse álbum saiu tão diferente dos anteriores da banda? Qual o significado dele para a banda?

Tomi:
Às vezes é difícil analisar porque fizemos certo tipo de álbum, já que é sempre um processo natural, feito sem pensar muito numa direção específica. Acho que depois de “Tales From The Thousand Lakes” pensamos que não dava mais para ir adiante com aquele estilo. E certamente não queríamos ficar estacionados e fazer o mesmo álbum de novo. E queríamos vozes limpas também. As melodias se tornaram mais importantes.

Para a banda e para mim, este é um álbum muito importante. De alguma forma arriscamos e eu estou orgulhoso que tenhamos feito o que estávamos sentindo. Mas creio que as diferenças de “Tuonela” também foram memoráveis.

Foi quando o Amorphis entrou num período mais experimental e psicodélico, inserindo instrumentos como flauta, cítara e saxofone à música. Como foi isso? Receberam críticas negativas?

Tomi:
Ah, sim. Houve reações até quando lançamos “Tales...” porque ele era muito ‘suave’. Eu suponho que tenhamos começado a nos sentir um pouco enjoados das melodias do “Elegy”. É difícil de explicar, mas queríamos fazer algo mais cru e ao mesmo tempo com essas influências vindas de outros lugares.

Naquela época estávamos ouvindo bandas de rock psicodélico, como nossa banda finlandesa favorita, o Piirpauke, que esteve na ativa principalmente nos anos 70, tocando folk rock progressivo. O líder da banda era o saxofonista Sakari Kukko e o quisemos tocando em nosso álbum. Eu também comecei a tocar e estudar cítara naquela época. A música oriental está entre nossas favoritas e as influências vieram fortes no “Tuonela”.

Acho que nossos fãs pensaram algo como “Que raios eles estão fazendo?”, mas no final das contas parece que gostaram do álbum. Para mim esse é, junto ao “Elegy”, um dos mais importantes álbuns de nosso começo.

O vocalista Pasi Koskinen deu muita personalidade às canções durante os quase 10 anos que ficou na banda. Como foi sua saída?

Tomi:
Ele começou a perder a motivação ao longo dos anos, não estava mais se dedicando completamente. As sessões de “Far From the Sun” foram as piores, com ele escrevendo as letras cinco minutos antes de gravar. Ele soa fraco naquele álbum. E também a turnê se tornou estressante para todos, principalmente por causa do uso de álcool. Então isso era a única coisa que podíamos fazer, para ele e para a banda. Ainda somos bons amigos.

Como encontraram Tomi Joutsen? A voz e a maneira de cantar são bastante similares a Pasi... A idéia era evitar uma grande mudança vocal?

Tomi:
Não, devo dizer que não concordo com a similaridade entre as vozes deles. A escala do Tomi é muito maior, enquanto Pasi tem um jeito mais pessoal de cantar. Procuramos por um novo vocalista por alguns meses, escutamos centenas de demos, mas nenhuma delas estava perto daquilo que procurávamos. Havia muitos clones de Pasi e isso era algo que não queríamos.

Quando estávamos quase resolvendo fazer um álbum instrumental, eu conversava com um amigo ao telefone e ele sugeriu o vocalista da banda dele, o Sinisthra. Perguntei se ele havia conversado com o restante da banda sobre isso... De qualquer forma ele me disse que Tomi era fã do Amorphis desde o começo da banda e que não acreditava que teria chance de tentar a vaga.

Eu telefonei para Joutsen e logo no primeiro ensaio percebemos que ele era mais do que queríamos. Não tinha apenas habilidades vocais, mas personalidade. É o tipo de cara que tem os pés no chão. Isso é importante, especialmente nas turnês, quando temos que conviver um com o outro no dia após dia.

Ainda sobre a formação, os únicos membros originais hoje são os guitarristas. Mesmo assim, não ouvimos mais longos ou velozes solos de guitarra nas canções. Por quê?

Tomi:
Eu acho que é porque nós não sentimos que temos que mostrar nossas técnicas e rapidez nelas. Mais importantes são a melodia e a atmosfera nas canções. Mas eu não sei se já tivemos solos muito rápidos...

Quais os guitarristas que você mais aprecia? E Esa Holopainen? Já pensou em gravar um álbum solo instrumental?

Tomi:
Acho que nós dois compartilhamos nosso guitarrista preferido, que é David Gilmour do Pink Floyd, o que explica a coisa dos solos rápidos... Já pensei em algo como um álbum solo, talvez instrumental, mas nada sério. Um dia, talvez.

As vozes e melodias das guitarras são bastante cativantes nas músicas do Amorphis, e ao mesmo tempo soam pesadas e melancólicas. Como funciona esse equilíbrio?

Tomi Koivusaari: Eu acho que essa é nossa marca nos dias de hoje. Acho que funciona muito bem!

A maioria das letras do Amorphis fala sobre mitologia finlandesa, cultura nórdica e sobre o rigoroso inverno. Como vocês acham que sua mensagem chega a lugares tão distantes e diferentes da Finlândia, como o Brasil?

Tomi:
Eu acho que essas histórias são multiculturais. Não é preciso viver na Finlândia para saber do que elas estão falando. Muitas vezes elas falam da mente humana, e coisas atemporais também. Isso pode ser exótico para os brasileiros assim como as raízes do Sepultura são para os finlandeses. Mas não veja tanta diferença assim entre os seres humanos ao redor do planeta.

A música do Amorphis é única, não soa como outras bandas. Como é viver nesse mundo próprio, quando não há comparações com outros artistas do cenário metálico mundial?

Tomi: Eu acho que esse deveria ser o objetivo de qualquer banda, soar única e original. Então, obrigado por me dizer isso! Houve um tempo, especialmente no início, que nos sentíamos deslocados na cena metálica, mas depois de tanto tempo é muito bom que alguém pense que vivemos em nosso próprio mundo.

O Amorphis está com quase 20 anos. Porque demorou tanto para vir ao Brasil? Vocês conhecem algo do nosso país?

Tomi: Para ser honesto, não tenho a mínima idéia porque demoramos. Há 15 anos estamos tentando com nossos agentes ir à América do Sul. Acho que não tínhamos feito os contatos corretos. Mas sempre quisemos ir e agora finalmente está acontecendo, mal posso esperar.

Claro que conhecemos algumas bandas brasileiras, como o Sepultura. Meu time de futebol preferido é o do Brasil, já que os finlandeses não sabem jogar, e meus jogadores preferidos são os brasileiros. Sócrates era meu maior herói quando eu era criança.

Sobre o Brasil sabemos que tem samba e chuva tropical. Mas será interessante saber como é ao vivo.

Como é ver os álbuns do Amorphis conquistando discos de ouro e deixando para trás artistas mais pop nos charts finlandeses? Porque você acha que o Heavy Metal é tão forte no seu país?

Tomi: É divertido deixar os popstars pra trás, tenho que admitir. Os discos de ouro são a resposta dos nossos fãs, por isso é muito bom, embora nunca tenha sido nosso objetivo. Quando começamos o metal não era grande, mas agora é o estilo que mais vende na Finlândia e isso ainda me impressiona. Tem bandas que tem 4 álbuns de platina, por exemplo.

Não sei até quando isso vai durar, mas espero que muito. É melhor assim do que ter aqueles artistas pop caídos. Eu não sei exatamente porque o Metal é grande por aqui. Por causa dos invernos longos e pensamentos sombrios?

Muito obrigado pela entrevista. Deixe uma mensagem para os fãs brasileiros...

Tomi:
Eu é que agradeço. Nós estamos muito empolgados para ir ao Brasil, esperamos vê-los no show. Daremos nosso melhor e tocaremos músicas de toda nossa carreira. E depois iremos sambar...
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