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*publicado em 27/9/2006 - 00h00
Uriah Heep conta tudo em coletiva antes de shows no Brasil
Gustavo Silva
Redação TDM
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Gustavo Silva / TDM
Trinta e seis anos de carreira desde a estréia no mercado fonográfico. Vinte álbuns de estúdio gravados. Somente com esses dados, qualquer banda é capaz de impor enorme respeito a qualquer um. Mas, pela quantidade (e qualidade) de clássicos indiscutíveis do rock e, na mesma proporção, de admiradores conquistados ao redor do globo, o Uriah Heep não precisaria deles para se sustentar.

O grupo vem ao Brasil dessa vez como ‘headliner’ do festival Rock in Concert, evento que, assim como as passagens do Uriah Heep pelo país, celebra sua terceira edição nesse ano, com foco principalmente na vertente clássica do rock. Contudo, antes das duas apresentações que realizam, no Rio de Janeiro e em São Paulo, Bernie Shaw (vocal), Phil Lanzon (teclado), Trevor Bolder (baixo), Lee Kerslake (bateria) e Mick Box (guitarra) se reuniram com a imprensa para conceder uma entrevista coletiva, atraindo até mesmo jornalistas de outros países da América do Sul.

Líder incontestável do conjunto, Mick Box é o único membro a permanecer desde sua fundação, e por isso, tem propriedade para falar sobre os momentos de dificuldade em que viveu à frente da banda. Entre vários, fez questão de nomear dois que considera marcantes: “A morte de David Byron mexeu muito comigo, e os tempos em que a banda esteve parada também foram difíceis”. “A vida é como uma montanha russa, cheia de altos e baixos”, filosofa.

David Byron foi, assim como Mick Box, um dos principais pilares do Uriah Heep em seus primórdios. O vocalista esteve com a banda até 1976, quando resolveu sair e seguir em carreira solo. John Lawton foi escolhido como seu substituto. Mas, entre os vários nomes sondados para o posto à época, um é bem conhecido do grande público. David Coverdale, recém saído do Deep Purple, chegou a fazer ‘jam-sessions’ com a banda, mas a química acabou não sendo das melhores, e o vocalista fundou o Whitesnake. Mas não sem antes convidar Mick Box e Lee Kerslake para o acompanhar em seu álbum. Caso tivessem aceitado, provavelmente a história da música ficaria marcado com o “White Heep” ou “Uriah Snake”. Dá para imaginar?

Dez anos depois, Bernie Shaw foi integrado ao grupo. Apesar de não ter vivenciado o apogeu do Uriah Heep, o fator de ter de cantar músicas não gravadas por ele não o incomoda. “Não há problemas em cantar as composições antigas. Uma boa música sempre será uma boa música”, disse.

Mesmo com tantas trocas de integrantes, o Uriah Heep completa nesse ano duas décadas de formação estável. O segredo? “A química entre nós. Somos uma família longe de nossas famílias”, responde Box, não sem antes puxar um pequeno ‘happy birthday’ em comemoração à data.

Com a estabilidade, momentos marcantes acompanharam a banda. Um deles tem caráter histórico: O Uriah Heep foi, em 1987, a primeira banda de rock ocidental a se apresentar na extinta URSS. “Foi bizarro. E frio. Nós não sabíamos o que íamos encontrar”, relembra Phil Lanzon. E os outros membros completavam: “Tentávamos chegar perto da platéia, mas as pessoas mais próximas estavam a 30 metros de distância. Os soldados chegavam e batiam no público dizendo “Hey, vocês estão se divertindo demais”.


A série de dez apresentações em solo soviético acabou dando origem ao álbum “Live In Moscow”. E também, a algumas lembranças doloridas, literalmente, a Mick e Phil. Este, ao ficar observando as partes mais altas do palco, acabou indo ao chão inevitavelmente, da mesma maneira que Mick, que, em uma queda durante um dos shows, acabou quebrando um dente. “Nós demos trabalho à equipe médica naqueles tempos”.

O bom humor de todos os integrantes foi uma tônica constante durante toda a coletiva, e foi aflorado principalmente quando o Brasil foi o tema principal da conversa. A última passagem do Uriah Heep pelo país havia sido em 1995, ao lado do Nazareth. O que ficou na memória? “Bebidas e ‘carne na grande lança’”, como disse Lee, mencionando o tradicional churrasco. O Pão de Açúcar e o Corcovado também foram lembrados, e como não podia deixar de ser, a mulher brasileira não foi esquecida. “Mulheres com saias, muito, muito curtas”, disse aos risos Bernie, que emendou: “Dessa vez, espero que dê tempo para pegar um dia de sol em Ipanema. Só não contem isso à minha mulher!”. A cordialidade só foi esquecida na hora de responderem à pergunta: “Pelé, Maradonna ou George Best?”. Nessa hora, o patriotismo falou mais alto.

Mas, antes do lazer, a banda vem primeiramente ao Brasil a trabalho, carregando a função de fechar as noites paulista e carioca do Rock in Concert. “Esperamos fazer um ótimo show. Afinal, é o que sabemos fazer de melhor”, foi dito em relação à apresentação no evento. Músicas do show? “Iremos tocar vários clássicos, como “Smoke on the Water”, “Sweet Home Alamaba”...”, brincou Mick, para falar sério depois: “Esperem uma apresentação recheada de clássicos dos anos 70 até os dias atuais”. Ou seja, “Easy Livin’”, “Gipsy”, “Lady in Black” e outras incontáveis músicas, consideradas pelos próprios membros como fundamentais ao ‘set-list’, serão executadas.

Seria improvável que a banda não fosse abordada a respeito de seu novo e esperado álbum. E, para a alegria dos fãs, a resposta não poderia ser mais satisfatória: o Uriah Heep entra em estúdio no começo de 2007 para gravar músicas inéditas. Segundo Box, os detalhes técnicos a respeito do trabalho já foram decididos. Como as músicas irão soar? “Todos os elementos tradicionais do Uriah Heep estarão presentes, desde boas canções melódicas até inserções de hammond”, adiciona.

Ainda no campo de lançamentos, ao ser indagado sobre um possível disco solo, Mick Box respondeu que, assim que tiver tempo necessário, irá compor algo nesses moldes. “Estive à frente dos negócios da banda por muito tempo, e, quando estive livre, David [Byron, ex-vocalista], me convidou para gravar seu álbum solo”. Mais novidade ainda seria o fato do Uriah Heep interpretar na íntegra ao vivo algum álbum de estúdio. A idéia ainda não teve muita reflexão, mas o guitarrista adiantou que, caso algo nesses moldes aconteça, “Demons & Wizards” deve ser o escolhido.

A idade avançada de todos os membros já começa a ficar evidente, depois de tantos anos na estrada. Junta-se isso a outros fatores, como família e cansaço, e têm-se uma das principais causas de aposentadorias entre os grandes medalhões do estilo. Mas, ao ser perguntado sobre o que pode parar o Uriah Heep, Lee Kerslake respondeu enfaticamente com apenas uma palavra: “A morte”. Que ela se mantenha distante o bastante do quinteto britânico para que o rock clássico do Uriah Heep perpetue pelo mundo ainda por muito tempo.
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