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*publicado em 03/09/2013 - 20h42
Emicida: O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui
Nas letras, a contundência de mensagens diretas e incisivas e infinitos erros da nossa língua falada.
Lizandra Pronin
Redação TDM
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O esperado disco do Emicida está lançado. O rapper já havia colocado no mercado singles e o EP "Doozicabraba e a Revolução Silenciosa", que contou com produção de Mos Def, mas "O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui" é seu o primeiro disco 'oficial'.

O título um tanto estranho, segundo o rapper, significa "um retorno, por termos circulado por tantos locais sem um disco oficial, e ao mesmo tempo uma primeira vez, por ver tudo se redefinir a cada vez que se coloca um novo projeto na rua. Enfim, nasceu a criança".

Nas letras das 14 faixas que compõem o disco, estão a contundência de mensagens diretas e incisivas e infinitos erros cometidos em nossa língua falada, como "nóis", "fi" (filho), "Sozim" e "duceis" (de vocês). Sem contar as populares concordâncias "as panela vazia" e "pros remelento". Antes que me crucifiquem no altar do politicamente correto e do socialmente engajado, deixem que eu termine.

O fato das pessoas falarem assim, e não somente na periferia cantada por Emicida, mas de maneira geral, não necessariamente justifica seu uso nas letras das músicas. A escolha é mais pela identificação que o público alvo - estou falando dos 'playboys' e dos intelectuais com viés à esquerda - fará com o discurso de Emicida do que por que o rapper fale assim.

Tanto é que o discurso de dona Jacira, mãe do rapper, em "Crisântemo", cuja letra é de Emicida, mostra que sim, Emicida sabe falar não só corretamente, mas bonito, num sentido estético poético. Em outras palavras, é uma questão de escolha falar assim, mas não da falta dela. A música, aliás, é um dos destaques do disco, ao lado de "Hino Vira-Lata", com participação do Quinteto em Branco e Preto.


Se isso ajuda, de alguma forma, a uma parcela do público se tornar analítica e refletir a respeito da realidade ao seu redor é outra história. As músicas, obviamente, têm potencial para isso, especialmente se o ouvinte realmente prestar atenção nas letras, como um todo, e não só nas palavras de ordem. Dizer "Neguinho o caralho, meu nome é Emicida, porra" é muito raso, mas quando Emicida canta "Esses boy conhece marx / nóis conhece a fome" ou ainda "A tempestade não se pergunta / se molha os homens ou não / Ela cai", estamos falando de algo que realmente pode fazer alguma diferença.

Filosofias à parte, o repertório do álbum soa bastante acessível. Há todos os elementos esperados do típico rap nacional e ale se acrescentam algumas melodias pop, batidas dançantes e ainda umas bem vindas pitadas de samba e soul. Há até romantismo no álbum, na faixa "Alma Gêmea".

A produção de "O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui" é de qualidade e as participações - Pitty, Tulipa Ruiz, Quinteto em Branco e Preto, entre outros artistas - muito bem escolhidas. Emicida mostra que seu lugar na música popular brasileira está garantido.
01. Milionário do Sonho Enviar
02. Levanta e Anda (part. Rael da Rima)
03. Nóiz
04. Zóião
05. Crisântemo
06. Sol de Giz de Cera (part. Tulipa Ruiz)
07. Hoje Cedo (part. Pitty)
08. Trepadeira (part. Wilson das Neves)
09. BANG! (part. Adriana Drê)
10. Gueto (part. Mc Guime) Enviar
11. Hino Vira-Lata (part. Quinteto em Branco e Preto)
12. Alma Gêmea (part. Rafa Kabelo)
13. Samba do fim do Mundo (part. Fabiana Cozza & Juçara Marçal)
14. Ubuntu Fristili
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Ano de lançamento: 2013
Artistas relacionados: Emicida
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