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Devoção marca despedida do Black Sabbath em São Paulo
Eduardo Guimarães
Redação TDM, 06/12/2016 - 12h23
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Foto: Lauro Capellari / TDMusica
Tony Iommi com o Sabbath em 2013 - neste ano, a banda não permitiu fotógrafos dos veículos de imprensa
É totalmente redundante falar sobre a importância do Black Sabbath para o metal e todas as suas vertentes. Lembro que uma vez, alguns anos atrás, li em algum lugar alguém dizendo que se o grupo não tivesse surgido no final da década de 1960, provavelmente a banda mais pesada que conheceríamos seria como Creed ou algo que o valha...

Provocações à parte, o que importa é que os fãs brasileiros tiveram quatro oportunidades de participar da despedida deste verdadeiro baluarte da música pesada, vendo e ouvindo pela última vez no Brasil, juntos, Tony Iommi, Ozzy Osbourne e Geezer Butler.

Depois de apresentar seus trítonos em Porto Alegre, Curitiba e Rio de Janeiro, o mestre Tony Iommi, a verdadeira personificação do Black Sabbath - se você não concorda, provavelmente não conhece a banda tão a fundo - trouxe sua surrada e belíssima Gibson SG para São Paulo para encerrar a etapa sul-americana da turnê “The End”.

Ainda que oficialmente a turnê seja de despedida, o clima no Estádio Cícero Pompeu de Toledo não era de melancolia ou tristeza. Pelo contrário. Cheguei ao estádio logo após a abertura dos portões, às 16h00, e o que reinava nos rostos de milhares de fãs era alegria e talvez um pouco de apreensão.

Pessoalmente, sempre que vou a um show deste porte eu sinto essa apreensão. Muito mais ainda neste último domingo, levando em conta que mais uma vez eu veria ao vivo aquela que é minha banda preferida desde meus 12 anos. É como voltar à adolescência, quando quase tudo era novidade e muitas vezes não se sabe bem o que esperar.

Racionalmente, este não era o caso deste evento, já que as apresentações em praticamente toda a turnê não têm mudanças significativas entre si e a internet matou a expectativa de tentar adivinhar qual será a próxima música a ser apresentada no palco. Tem tudo em detalhes no Setlist.fm.

O começo do fim

Marcada para ter início às 20h30, a apresentação na capital paulista começou com cinco minutos de atraso. Ao apagar das luzes do estádio, o imenso telão ao fundo do palco e os dois menores nas laterais começaram a exibir um vídeo que mostrava o nascimento de uma criatura demoníaca, surgida de uma espécie de ovo incandescente. O demônio destrói uma cidade toda com seu poder. Das chamas surgem as duas palavras que condensam e representam o heavy metal: Black Sabbath.

(vídeo por psychelectronic)


Essa é a deixa para que Tommy Clufetos, Geezer Butler, Ozzy Osbourne e Tony Iommi assumam seus respectivos postos no imenso palco enquanto os sons da chuva, dos trovões e do sino soam pelos alto-falantes. A música que dá nome ao grupo é a primeira do repertório. Logo ao aparecer em cena um simpático Sr. Osbourne saúda a plateia com um singelo “how are you doing?” Mas é no momento que Tony Iommi toca no braço de sua guitarra aquela nota Sol que deu origem ao heavy metal é que o show realmente começa.

O repertório dessa turnê tem sido curto e praticamente o mesmo em todas as apresentações. Ao mesmo tempo que isso tira bastante a espontaneidade do show, garante aos senhores beirando os 70 anos de idade cumprir o roteiro sem solavancos. Ainda que, às vezes, ocorram momentos curiosos, como o erro protagonizado por Ozzy durante a entrada no início de “Children of the Grave”, na apresentação em Porto Alegre.

Apesar do repertório engessado - por culpa do vocalista, fique o registro - a seleção de canções apresentadas traz algumas pérolas que, aparentemente, nem todos conseguem apreciar. Digo isso porque todo o público vai ao delírio com “War Pigs”, mas boa parte ignora maravilhas como “Into the Void” - que peso é aquele?!?! - ou “Dirty Women”. Esta última, aliás, traz um dos solos e melodias mais interessantes criadas por Iommi e de um disco subestimado.

(vídeo por psychelectronic)


Um dos grandes momentos da noite nem foi exatamente durante uma música, mas após “Snowblind”. Foi quando Ozzy disse que iria apresentar os músicos e, pela ordem, anunciou Adam Wakeman, Geezer Butler, Tommy Clufetos e Tony Iommi. Todos respeitosamente saudados, mas quando chegou a vez do guitarrista, o barulho no Estádio do Morumbi foi ensurdecedor e emocionante. É o mínimo que merece o homem que manteve o Black Sabbath vivo por tantos anos, passando por momentos ruins e renascendo mais de uma vez. Sem contar recente batalha pessoal contra um linfoma, felizmente em estado remissivo.

A chuva que ameaçava cair desde o fim da tarde veio pesada ao final de “After Forever”. Cada gota que caia do céu parecia trazer consigo o peso dos graves e agudos do baixo e da guitarra. Ao final desta e após anunciar “Into the Void”, Ozzy cantarola o tema do filme “Singing in the Rain”, enquanto Iommi atravessa o palco para falar algo com Butler. Se no passado o espaço do palco era ocupado pelas correrias, saltos e agitos do cantor, hoje todos permanecem praticamente estáticos em seus postos e ainda assim conseguem hipnotizar a plateia que reage ao menor sinal.

A necessidade que muitos na plateia têm de participar efetivamente do show acaba criando um fenômeno estranho em que quase todas as melodias têm obrigatoriamente de vir acompanhada de uma vocalização. E aí as guitarras em “Into the Void”, “War Pigs” e até em “Behind the Wall of Sleep” ficam cheias de irritantes “ôôôôôs”. É como se as pessoas não estivessem interessadas em ouvir quem realmente fez e faz a música. Pior que isso, só os “olê, olê, olê” que terminam com alguma palavra que absolutamente não rima, como... Sabbath.

(vídeo por psychelectronic)


Assim como no disco, após “Behind the Wall of Sleep” o discreto Butler tem toda a atenção sobre si com seu baixo cheio de efeitos para o solo oficialmente chamado “Bassically”, que nada mais é que a introdução de “N.I.B.”. Na sequência, a instrumental “Rat Salad”, seguida de um devastador solo de Tommy Clufetos, serve para que Geezer, Tony e Ozzy possam recuperar as energias. Quando a banda volta ao palco é para apresentar “Iron Man”.

Ozzy anuncia que chegou a hora da última música da noite, que é “Children of the Grave”. A banda mal sai do palco e reassume o posto para, agora sim, a derradeira: “Paranoid”.

Se fossemos tentar comparar este show com o de 2013, uma certeza é que o repertório de três anos atrás foi muito melhor. Porém, confesso que fiquei bem dividido sobre dizer qual apresentação pode ser considerada superior, levando em conta o desempenho individual e o clima geral do show.

(vídeo por Bolívia & Cátia Rock)


Tony e Geezer são impecáveis, ainda que o guitarrista aparentemente tenha tido algum problema durante o solo em “Snowblind”, mas nada que lhe tirasse o brilho. Ozzy é Ozzy, com tudo de bom e ruim que isso significa atualmente, como a falta de mobilidade e o desempenho ruim de sua voz. Ainda que - verdade seja dita - o cantor até que conseguiu segurar bem essa apresentação em São Paulo, cantando melhor do que já ouvimos em outros momentos.

Ao final, o que se via no público eram rostos sorridentes que celebraram com devoção e alegria a despedida. Se houve lágrimas, ficaram por conta das nuvens que despejaram uma infinidade delas sobre nossas cabeças até o final do show, quando secaram.

O fim é um novo começo

Tony Iommi já declarou em entrevista recente que pode continuar a produzir material e gravar discos, agora que seu câncer está praticamente curado. Só deve mesmo é se afastar das grandes turnês. Ozzy também já disse na imprensa que pretende em breve trabalhar em um novo disco solo. Isso abre uma gama de possibilidades positivas para todos.

Se este é realmente o fim do Black Sabbath, só o tempo dirá. O que importa é que este nome esta definitivamente registrado na história da música mundial e sua influência ainda deve reverberar por muitos anos. Além disso, a história finaliza com um bom disco, o “13”, ainda que ele esteja maculado pela controvérsia envolvendo a não participação do baterista Bill Ward.

Como admiradores do trabalho feito por Tony Iommi, Geezer Butler, Ozzy Osbourne e Bill Ward durante a década de 1970, só podemos é agradecer e torcer para vê-los em outros palcos, outros discos. Juntos ou separados.

Confira o repertório:

01. Black Sabbath
02. Fairies Wear Boots
03. After Forever
04. Into the Void
05. Snowblind
06. War Pigs
07. Behind the Wall of Sleep
08. Bassically / N.I.B.
09. Rat Salad / solo de bateria
10. Iron Man
11. Dirty Women
12. Children of the Grave

Bis
13. Paranoid
Artistas relacionados: Black Sabbath
Tags: Shows
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