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*publicado em 12/12/2008 - 00h00
Kit de Sobrevivência ao vivo (Parte 1)
José Xinho Luís
Redação TDM
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Reprodução
Já vi vários textos na internet e matérias de professores de guitarra, inclusive, falando sobre Kit de Sobrevivência para guitarristas ou para músicos usarem em palco. O Kit de Sobrevivência é o conjunto atitudes e itens que, além de seu gear, você deve levar para os shows sempre, para garantir qualidade para seu som.

A lista de obviedades desses kits que li na internet é grande, e em geral não acrescentam quase nada. Os conselhos sobre os Kits de Sobrevivência citam coisas como: “nunca se esqueçam de levar um jogo de cordas de reserva”; “tenham palhetas no bolso”; “afinador eletrônico”; “levem baquetas sobressalentes”, “não se esqueçam de levar uma flanela para limpar o instrumento após o show”, etc.

Meu objetivo na coluna de hoje e do próximo mês não é passar um kit completo, mas é fugir dessa listinha óbvia e apresentar o que para mim deve fazer parte desse kit. Apesar de serem itens também simples, muitos de nós não tomamos cuidado ainda ou não temos esses itens fazendo parte do nosso...

Kit de Sobrevivência

- SM 57
A grande maioria da microfonação profissional dos amplificadores de guitarra em palco é feita com esse microfone. Que adianta você ter no palco seu amp de US$ 5.000, sua pedaleira de US$ 3.000 e sua guitarra de US$ 5.000 e microfonar tudo com um daqueles mics de karaokê de R$ 50? Ou então ficar a mercê do mic do técnico de som do bar, que pode ter caído no chão dezenas de vezes, ter vindo de brinde numa compra qualquer? Com R$ 300 se consegue comprar um SM 57. Compre um, coloque dentro do estojo de guitarra e nunca se esqueça de levá-lo aos shows.

- Suporte ou clamp para o mic de guitarra
Item simples, mas muitos de nós guitarristas não temos esses suportes (pedestais ou garras), e penduramos o mic na caixa. Pendurar um SM 57 é uma alternativa péssima, pois é um mic direcional. Caso pendurado, ele estará apontando para o chão e captará muitos sons como caixa de bateria, pratos, um pouco de baixo, etc. E um pouco de guitarra, mas de forma bem abafada.

Com esse mic, ao vivo, procure mantê-lo sempre em posição perpendicular à caixa. Pode ser off-axis, mas que seja perpendicular, para que evitemos ao máximo captar outros instrumentos com ele. Em gravações em salas isoladas, utilizar esse mic de forma inclinada é uma experiência interessantíssima, pois altera bastante o som do instrumento. Ao vivo, entretanto, não o faça.

Caso não seja possível ter um SM 57 e tenha que usar um SM 58 (o mais popular), ou um similar, mais uma vez nada de pendurar o mic na caixa de som! O SM 58 não é direcional, e vai pegar muito dos outros instrumentos e transmiti-los para o PA. Use o SM 58, mas tente mantê-lo também a um ângulo de 90 graus com a caixa, o mais próximo possível de sua tela, e o mais distante possível de outros instrumentos.

- Cabos
São itens com enorme variação de preços e podem ter papel fundamental no nosso timbre. Cabos bons chegam a custar caro, mas trazem muito mais integridade ao som e muito menos perda de sinal para aqueles que têm uma longa pedaleira com diversos pedais ligados.

Invista, de preferência, em cabos que têm garantia eterna (lifetime warranty). Não economize nesse item. É um custo que se tem apenas uma vez e o cabo servirá para a vida toda. Não use cabos que estão à disposição na casa de show. Leve os seus.

Já tive experiência com cabos nacionais que mudaram completamente o som da minha guitarra. Tudo ficou pobre, abelhudo, etc. Nunca mais.

Mais uma vez, não prejudique o som do seu gear, no qual você já investiu bastante dinheiro e tempo, com cabos vagabundos, bonitinhos e ordinários. Compre cabos de alta qualidade e os tenha a vida inteira.

- Microfone dinâmico para voz
Ao vivo, não tentem usar os microfones condenser. Tudo bem, eles têm muito mais fidelidade, captam melhor as nuances da voz, etc. Em comparação aos dinâmicos, eles em geral são bem mais caros, mais frágeis e o pior de tudo, dependem do Phanthom Power da mesa de som do estabelecimento.

Dificilmente se medem quantos Volts a mesa de som está realmente enviando para esses condensers. Profissionais como James Labrie, por exemplo, medem a voltagem nos locais em que Dream Theater vai tocar e dificilmente chegam da mesa os 48V especificados para o mic condenser funcionar como deve. Sem os 48V, acontece que a sensibilidade do mic e seu funcionamento são muito prejudicados.

Quanto maior o cabo da mesa até o mic, maior a perda de tensão também. Além disso, um condenser que caia no chão é provável que seja um mic a menos para o resto do show, pois são frágeis.

Em resumo, vocalistas e guitarristas que cantam devem ter seus bons e velhos microfones dinâmicos SM 58, ou similares, para voz. São usados por 90% dos vocais de rock, são super resistentes, e ótimos em qualidade.
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